Francisco na Bulgária e Macedónia do Norte: peregrino da paz e da esperança

Destaque para a visita do Papa ao Memorial da Madre Teresa de Calcutá em Skopje, na Macedónia do Norte e o encontro pela paz em Sófia, na Bulgária.

Rui Saraiva – Porto

O Papa Francisco fez nos passados dias 5 a 7 de maio a 29ª Viagem Apostólica do seu pontificado. Na Europa visitou a Bulgária e a Macedónia do Norte. Países onde os católicos são minoria. Destacamos aqui dois momentos: a visita ao Memorial da Madre Teresa de Calcutá na Macedónia do Norte e o encontro pela paz em Sófia, na Bulgária, num verdadeiro momento inter-religioso.

Ser sinal de amor e de esperança

Comecemos pelo fim, num momento vivido na Macedónia do Norte na terça-feira dia 7 de maio: Francisco visitou as raízes de Madre Teresa de Calcutá, filha de Skopje, ao visitar a casa – transformada em Memorial – onde a religiosa foi batizada um dia depois do seu nascimento. Recordemos o relato feito pela jornalista do programa brasileiro da Rádio Vaticano, Andressa Collet:

A visita do Papa ao Memorial dedicado à Madre Teresa de Calcutá foi repleta de significados para o Pontífice, que a canonizou em 2016, e para todos que ainda hoje se dedicam aos pobres – como fez durante toda a vida a Missionária da Caridade.

Francisco foi recebido no museu pelas Irmãs da Congregação e depois, na capela, encontrou os líderes das comunidades religiosas do país e dois primos de Madre Teresa.

O Papa Francisco primeiro fez um momento de oração em silêncio diante das relíquias da santa e depois rezou com os presentes uma oração em homenagem à Madre Teresa:

“Aqui começaste a ver e a conhecer as pessoas necessitadas, os pobres e os humildes. Aqui aprendeste com os próprios pais a querer bem aos mais necessitados e a ajudá-los. Aqui, no silêncio da igreja, ouviste o chamado de Jesus para O seguir, como religiosa, nas missões.

Daqui lhe pedimos: intercede junto a Jesus para que também nós obtenhamos a graça de estar vigilantes e atentos ao grito dos pobres, daqueles que estão privados dos seus direitos, dos doentes, dos marginalizados, dos últimos. Alcance-nos a graça de lhe ver nos olhos de quem nos olha, porque precisa de nós.”

O Papa continuou a oração pedindo a graça de recebermos “um coração que saiba reconhecer Jesus naqueles que vivem aflitos por tribulações e injustiças”. E acrescentou:

“ Alcance-nos a graça de sermos, também nós, sinal de amor e esperança no nosso tempo, que vê tantos indigentes, abandonados marginalizados e migrantes. Faça com que o nosso amor não seja só palavras, mas seja eficaz e verdadeiro.”

“Reze por nós, para podermos prestar um testemunho credível da Igreja que tem o dever de anunciar o Evangelho aos pobres, a libertação aos prisioneiros, a alegria aos aflitos, a graça da salvação a todos.

Após a oração em Skopje, o Papa Francisco encontrou no pátio do Memorial a Santa Madre Teresa cerca de uma centena de pobres assistidos pelas Missionárias da Caridade. Foi algo que tocou muito o Santo Padre tendo-o declarado depois aos jornalistas na viagem de avião de regresso a Roma.

Com o fogo do amor derreter o gelo das guerras

Entretanto, na visita à Bulgária destaque para o evento pela paz no qual participou o Papa. Francisco apelou ao diálogo inter-religioso falando num local símbolo, na Bulgária, onde num mesmo sítio estão lugares de culto de diferentes confissões religiosas. Foi em Sófia, na segunda-feira dia 6 de maio, na Praça da Independência:

Seis crianças empunhando luzes fizeram a ponte, representando as seis principais confissões religiosas do país: Ortodoxa, Arménia, Hebraica, Protestante, Muçulmana e Católica.

O significado deste momento foi o de testemunhar que todos os búlgaros rezam pela paz. A paz, que é também a paz de Cristo, sobre a qual escreveu S. João XXIII na sua Encíclica “Pacem in Terris”. João XXIII, Ângelo Roncalli, que ali na Bulgária, foi Visitador Apostólico de 1925 a 1934.

O Papa recitou a oração de S. Francisco e recordou o seu amor “pela Criação”. “Amor que o levou a ser um autêntico construtor de paz” – disse o Santo Padre exortando todos os presentes a serem construtores de paz e citou o documento por si assinado recentemente a 4 de fevereiro deste ano de 2019 em Abu Dhabi com o Imã de Al-Azhar:

“Paz que devemos implorar e pela qual devemos trabalhar: dom e tarefa, presente e esforço constante e diário para construir uma cultura, onde também a paz seja um direito fundamental.”

“Paz ativa e «fortificada» contra todas as formas de egoísmo e indiferença, que nos fazem antepor os interesses mesquinhos de alguns à dignidade inviolável de toda a pessoa. A paz exige e pede-nos para fazermos do diálogo um caminho, da colaboração comum a nossa conduta, do conhecimento mútuo o método e o critério” (cf. Documento sobre a Fraternidade Humana, Abu Dhabi 4 de fevereiro de 2019).

Francisco referiu-se à simbologia da luz, chamando-lhe “fogo de amor” e “farol de misericórdia, amor e paz” para todo o mundo:

“Com o fogo do amor, queremos derreter o gelo das guerras” – disse o Papa.

“Estamos a viver este evento em prol da paz nas ruínas da antiga Serdika, em Sófia, coração da Bulgária. Daqui podemos ver os lugares de culto de diferentes Igrejas e Confissões religiosas: Santa Nedélia dos nossos irmãos ortodoxos, São José dos católicos, a sinagoga dos nossos irmãos mais velhos – os judeus –, a mesquita dos nossos irmãos muçulmanos e, aqui perto, a igreja dos arménios” – recordou o Santo Padre.

Considerando ser aquele local um símbolo e “testemunho de paz”, o Papa lançou um apelo aos líderes religiosos, políticos e culturais para que cada um seja “um instrumento de paz”. E recordou o sonho do Papa S. João XXIII:

“… uma terra onde a paz seja de casa. Adotemos o seu desejo e, com a nossa vida, digamos: Pacem in terris! Paz, na terra, a todos os homens amados pelo Senhor!” – disse o Papa Francisco.

Na audiência geral de quarta-feira, dia 8 de maio na Praça de S. Pedro, recordando esta sua Viagem à Bulgária e à Macedónia do Norte, o Papa referiu-se, em particular, ao encontro com as Missionárias da Caridade em Skopje dizendo que a caridade faz-se com doçura e não com acidez. “A caridade é doce, não ácida, E essas irmãs são um bom exemplo. Que Deus as abençoe” – declarou o Papa.

Fonte: Vatican News.

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