Vaticano: arquivado caso sobre restos mortais de jovem italiana

O Juiz Único do Estado da Cidade do Vaticano acolheu o pedido da Promotoria de Justiça de arquivar o caso sobre os restos mortais encontrados no cemitério do Campo Santo Teutônico, no Vaticano: são todos datados de uma época muito anterior àquela do desaparecimento da jovem italiana, Emanuela Orlandi, em 1983. Os mais recentes remontam, ao menos, há 100 anos.

Vatican News

A Sala de Imprensa da Santa Sé divulgou nesta quinta-feira (30) uma nota que comunica o arquivamento do caso “relativo à suposta sepultura no Vaticano, junto ao cemitério Teutônico, dos restos de Emanuela Orlandi”. A decisão foi tomada pelo Juiz Único do Estado da Cidade do Vaticano “que acolheu integralmente” o pedido da Promotoria de Justiça.

A nota esclarece que os restos humanos encontrados nos ossuários adjacentes às duas sepulturas abertas são todos datados de uma época muito anterior àquela do desaparecimento da jovem italiana, Emanuela Orlandi, em 1983. Os mais recentes remontam ao menos há 100 anos.

A denúncia

O caso foi aberto no verão de 2019 com a denúncia dos familiares da jovem, que indicava uma sepultura do Campo Santo Teutônico como sendo de Emanuela. A jovem era filha de um dependente da Santa Sé, que residia com a família dentro do Estado do Vaticano. O promotor de Justiça, Gian Piero Milano, e o seu adjunto, Alessandro Diddi, tinham autorizado o acesso ao túmulo e a abertura não de uma, mas de duas sepulturas próximas, que foram encontradas vazias.

Da verificação surgiu ainda que, entre os Anos 60 e 70 do século passado, foram efetuados trabalhos de ampliação do Colégio Teutônico: as sepulturas das princesas Sophie von Hohenlohe e Carlotta Federica di Mecklemburgo, ambas mortas nos anos de 1800, estavam vazias. Outras averiguações, feitas no mesmo dia, identificaram duas estruturas ósseas colocadas sob a pavimentação de uma área ao interno do Pontifício Colégio Teutônico.

A decisão do promotor de Justiça foi de lacrar imediatamente os dois ossuários e de ordenar novas inspeções. O comunicado da Santa Sé desta quinta-feira (30) ainda esclarece que a investigação sobre os achados, feita pelo prof. Giovanni Arcudi, perito do escritório, e com a presença dos consultores da família Orlandi, concluíram que os fragmentos são datados de uma época anterior ao desaparecimento de Emanuela: “os mais recentes remontam ao menos há 100 anos”.

Por isso o pedido de arquivamento, que conclui um dos capítulos da questão, “na qual as autoridades vaticanas ofereceram, desde o início, a mais ampla colaboração”. Justamente com esse espírito de colaboração e de atenção aos familiares da jovem desaparecida, o arquivamento do caso “deixa à família Orlandi de proceder, de maneira privada, a outras adicionais verificações sobre alguns fragmentos já encontrados e protegidos, em recipientes selados, junto à Gendarmaria”.

O caso Orlandi

Emanuela Orlandi foi uma jovem que desapareceu misteriosamente em 22 de junho de 1983. Filha de um cidadão do Vaticano, funcionário da Prefeitura da Casa Pontifícia, na época do seu desaparecimento tinha 15 anos. Logo se tornou um dos casos mais obscuros da história italiana que ainda não foi resolvido e que envolveu uma série de instituições.

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