Vaticano pede à ONU combate a fluxos financeiros ilícitos

Quem paga “as consequências devastadoras” são os mais pobres

As receitas ilícitas obtidas do trabalho forçado e da exploração sexual chegam anualmente aos US $ 150,2 bilhões. Já aquelas advindas do tráfico humano, somam 1,2 bilhão. As cifras foram citadas por Dom Bernardito Auza, Observador Permanente da Santa Sé na ONU,  no discurso por ocasião do encontro sobre cooperação internacional para combater os “fluxos financeiros ilícitos”, realizado em 16 de maio.

 

No contexto global, o fluxo financeiro ilegal – Illicit Financial Flows (IFF) – enfraquece o papel da lei e da estabilidade política de um país, sublinhou Dom Auza. “Incentiva a atividade criminosa e indica a presença de crime transnacional” e todas as atividades relacionadas à evasão fiscal e à lavagem de dinheiro.

Outra forma de IFF que Dom Auza destaca,  está ligada à exploração de recursos naturais pelas indústrias extrativas, que violam as leis e os limites estabelecidos para promover um uso mais sustentável do meio ambiente e dos recursos.

Quem paga “as consequências devastadoras” – explica o arcebispo em seu pronunciamento – são os mais pobres, porque esses fluxos tiram “recursos dos gastos públicos e cortam o capital disponível para investimentos privados, tiram dos países em desenvolvimento os recursos desesperadamente necessários para a prestação de serviços públicos, para financiar programas de redução da pobreza e melhoria da infraestrutura”.

Além disso, visto que os lucros  ilícitos são transferidos dos países pobres para os mais ricos, combater tal fenômeno – observou o prelado -, requer “uma colaboração internacional entre países mais desenvolvidos e aqueles em desenvolvimento”.

A redução desses fluxos, afirmou,  “é portanto um elemento essencial para apoiar a realização da Agenda 2030” pelo desenvolvimento.

(Com Vatican News)

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