Venezuela: bispos condenam repressão da ditadura contra manifestantes

Entre mortos, feridos e presos arbitrariamente, até uma igreja foi invadida, de moto e com bombas de gás lacrimogêneo, pela guarda do regime

Por meio da sua Comissão de Justiça e Paz, a Conferência Episcopal da Venezuela condenou a violência que o regime do ditador Nicolás Maduro tem exercido contra a população que protesta nas ruas de diversas cidades do país desde o último dia 30 de abril. Já são até agora mais de 300 feridos, 240 cidadãos presos e ao menos 5 assassinados, entre os quais um adolescente de 14 anos.A manifestação dos bispos cita os números disponíveis até 2 de maio:

“A Comissão de Justiça e Paz da Conferência Episcopal Venezuelana manifesta sua preocupação com os acontecimentos durante as manifestações no país de 30 de abril a 2 de maio de 2019, que deixaram o saldo lamentável de 4 pessoas mortas, 240 detidos e mais de 300 feridos, de acordo com o relatório da organização do Fórum Penal”.

Pouco após a publicação do texto, confirmou-se a morte de uma quinta pessoa.

Os bispos condenaram também a repressão à informação:

“Doze trabalhadores [de veículos informativos] foram vítimas de diferentes tipos de violência: cinco repórteres foram feridos com disparos, uma emissora foi roubada e pelo menos três meios de comunicação foram tirados do ar”.

“Condenamos o violento ataque ao templo de Nossa Senhora de Fátima, no Barrio Sucre, San Cristóbal, estado Táchira”.

No início da tarde de 1º de maio, soldados da Guarda Nacional Bolivariana (GNB) invadiram a igreja de moto. Ao serem barrados, foram imediatamente acompanhados por um bando de 40 guardas que, ao não conseguirem entrar no tempo, lançaram bombas de gás lacrimogênio dentro da igreja – na qual havia grande número de fiéis, muitos deles idosos. A primeira denúncia enfática deste abuso covarde foi lançada pelo próprio bispo de San Cristóbal, dom Mario Moronta: “Este acontecimento é de suma gravidade e é um ataque contra a Igreja Católica“.

Claras exigências dos bispos

A Comissão de Justiça e Paz do episcopado venezuelano exigiu da GNB e, em geral, do regime de Maduro “o devido respeito e garantia dos direitos humanos, o fim inadiável do uso criminoso de força letal para controle das manifestações e a libertação imediata dos que foram presos arbitrariamente“.

Os bispos também pediram que a Assembleia Nacional “determine as responsabilidades por esses acontecimentos a fim de que sejam julgados pelas instâncias correspondentes“.

O texto acrescenta que os direitos dos cidadãos são invioláveis ​​e pede que “toda violação contra eles resulte em crimes que não prescrevam nem possam ser justificados pela obediência devida“.

O episcopado encerra convidando “o povo fiel, homens e mulheres de boa vontade, a rezarem pelo restabelecimento da concórdia e da fraternidade, pelo descanso eterno dos falecidos e pelo consolo dos familiares das vítimas“.

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